Olá leitores! Teremos uma novidade no Depois de Ontem e espero que vocês gostem. A partir de hoje, toda última semana do mês eu postarei o “Dois dedos de chá e...” com dicas de livros e filmes. E para começar, hoje temos dois dedos de chá e Sangue Quente!
Quem gosta
de ler sabe o primeiro mandamento dos leitores: não julgarás o livro pelo filme. É sério! Eu tenho mais ou menos
200 livros e Sangue Quente está entre os meus preferidos, então adivinhem a
minha reação ao ver o trailer de “Meu Namorado É Um Zumbi” – sim, até o nome
eles mudaram. Quero dizer, que m*rda fizeram com o livro?! Fiquei indignada,
achei uma grande injustiça estragarem Sangue Quente dessa maneira, por isso vou
começar o “Dois dedos de chá e...” com esse livro.
Sangue
Quente é o romance de estreia de Isaac Marion, um cara que não fez faculdade e sempre
teve empregos estranhos, como entregador de leitos de morte para pacientes de
hospícios – o que, na minha opinião, o qualifica perfeitamente para escrever um
livro sobre zumbis, já que ele viu muita coisa estranha na vida. Sangue Quente
é um livro sobre Zumbis, mas certamente não é “mais um livro sobre zumbis”, o
autor consegue criar sua própria mitologia, respeitando alguns aspectos já
conhecidos sobre os mortos-vivos.
O narrador é
um jovem com um pequeno problema existencial... ele é um zumbi, e fica meio difícil
se lembrar do próprio nome quando mal se consegue falar, então ele é chamado de
R. Aparentemente ele é um pouco diferente dos outros zumbis: ele é um morto
recente, então seu processo de podridão mal começou.
O livro, de
inicio, é composto basicamente por diálogos internos de R e são justamente eles
que dão o toque dramático e tornam o livro eficiente e extremamente envolvente.
Os zumbis em Sangue Quente não são seres que só pensam em matar, comer e gemer.
Eles fazem parte de um novo tipo de comunidade e, por incrível que pareça, não
muito diferente da comunidade humana, exceto é claro por algumas limitações.
Okay, até aqui você deve estar pensando “que merda, zumbis não pensam”, mas é
justamente aí que está uma das diferenças entre o conhecimento comum sobre
zumbis e aqueles do universo de Marion. Para as pessoas que pensaram isso, essa
parte só se restringe nos primeiros capítulos e logo já é possível ter uma
perspectiva de onde o autor quer chegar.
Ao ingerir pedaços de um cérebro humano, o zumbi consegue reviver algumas das memórias das vitimas e a vida de R muda justamente após uma caçada, quando ele come o cérebro de Perry e conhece Julie, a então namorada de Perry. Acontece que R já encontrar (e comera) vários humanos antes e nunca tinha experimentado a mesma sensação que teve ao comer o cérebro de Perry, ao ter os flashes de como era a vida de Julie e seu namorado dentro de uma das comunidades de humanos sobreviventes. Fica claro, desde o começo, que R nunca foi um zumbi comum e sua mente já demonstrava que ele era capaz de pensar um pouco mais do que a maioria dos zumbis, mas depois disso algo definitivamente aconteceu com R. Seu mundo começa a ficar bem mais complicado, o de Julie então não tem como piorar. A vida do que sobrou da humanidade e a morte dos zumbis nunca mais serão a mesma.
O livro
realmente detém uma grande carga emocional e tende a ser mais um romance teen,
mas o diferencial é que o autor em nenhum momento perde a mão. Sendo assim,
Sangue Quente é um livro envolvente e romântico sem se tornar piegas e clichê
como infelizmente aconteceu com algumas obras que tentaram seguir essa linha. Na
verdade posso afirmar que de todos os livros que tentaram seguir essa linha o
único que realmente conseguiu foi este. [CooltureNews]
Um livro que
eu recomendo à todos fãs de zumbis, que devem estar de cabeça aberta ao começar
a ler, e principalmente, àqueles que
ainda não se envolveram com esse universo de corpos podres que andam, um estado
de fome ininterrupto e o eventual fim da humanidade como conhecemos (o famoso apocalipse
zumbi). Tenho certeza que será esse livro que irá fazer com que você passe a
olhar os zumbis com outros olhos.
Já viu meu novo blog? Corre lá e dê uma olhada: ALAMEDA LITERÁRIA
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