Século XX
Sabe aquela historinha de casamento arranjado? Então, já
nessa época esse costume perdia força. Os jovens se conheciam em piqueniques,
bailes, cafés e confeitarias. Nem os que namoravam sério podiam ter um momento de
privacidade, as declarações de amor eram feitas na frente dos pais das moças.
Os mais corajosos e destemidos se arriscavam e, com o violão na mão, faziam
serenatas debaixo da janela de suas pretendentes.
- PARA LER: “A Parada da Ilusão”, de João do Rio (1910).
Nessa época só os homens podiam tomar a iniciativa – era
considerado deselegante e inapropriado. Os jovens começaram a desenvolver
sinais para flertarem entre si. Se o rapaz desse uma baforada no charuto
significava que ele estava desinteressado, se ele coçava a ponta do nariz
queria dizer para a moça tomar cuidado pois alguém estava vigiando os dois, mas
se ele limpasse o suor da testa... ai a moça ai à loucura porque ele tinha
expectativas a respeito dos dois. As moças eram mais delicadas e enigmáticas:
elas usam flores para declarar seus sentimentos; rosas diziam “Temo, mas te
espero”, e tulipas “Declaro-me a ti”.
Anos 1920
Já ouviu falar na alcoviteira? Se você já leu Shakespeare você
sabe do que eu estou falando. A alcoviteira tem um grande papel nos
relacionamentos amorosos desse período, ela era geralmente um membro feminino
da família da moça, que servia de medianeira no relacionamento amoroso. A moça
queria entregar uma carta toda melosa cheia de promessas de amor? A alcoviteira
levava a carta para o rapaz. O rapaz quer dar uma voltinha com a moça e tomar
um sorvete na pracinha? A alcoviteira marca o encontro, fica tranquilo.
Anos 1930
Se um rapaz se encantasse por uma moça, teria que pedir o
consentimento dos pais dela para namorar. Se os pais aprovassem, os dois já
podiam sair juntos. Acompanhados por um membro da família, claro. O rapaz devia
deveria buscar a moça na casa dela e, antes das 21h horas, deveria estar cada
um para a sua casa. Contato sexual? Deus que me livre! Isso poderia ser
desastroso, acabaria com a vida de ambos!
Anos 1940
Depois da II Guerra, as conquistas femininas permitiram que
as jovens namorassem no portão, mas com horário predeterminado por pais e irmãos, para o encanto acabar. Era a época de popularização das novelas
transmitidas pelo rádio, o ideal romântico havia voltado. O namoro não ia muito
além do beijo na mão. Beijo no rosto? Nem pensar, que pouca vergonha! O namoro
não podia durar muito tempo para não começarem as fofocas e suspeitas sobre as
intenções do rapaz, nem para comprometer a reputação da moça. Terminar o namoro
era motivo de vergonha e humilhação para a família da pobre garota.
Anos 1950
Do portão para o sofá da sala. A família da moça elegia um
membro da família, geralmente o irmão pirralho ou a vovó carrancuda, para “segurar
vela” e ficar de olho para que o rapaz não tomasse liberdades e fizesse
carícias por cima das roupas. Nessa época, as moças mais ”dadas” já ganhavam
apelidos nem um pouco lisonjeiros, como
“vassourinha” e “maçaneta”.- PARA LER: “Amor”, de Clarice Lispector (1960).
- PARA ASSISTIR: “A Dama e o Vagabundo”, Walt Disney (1955).
Anos 1960
Uma verdadeira onda de contracultura modificou os valores
morais dos anos 1960. Incentivados pela permissividade sexual mostrada para
todo o mundo no Festival de Woodstock e a chegada da pílula anticoncepcional no
Brasil, os jovens aceitaram a tese de que ”é proibido proibir”, começaram a
experimentar de tudo um pouco em festas, clubes, universidades e shows. Os
namorados acreditavam que podiam manter relações sexuais sem se preocuparem com
as consequências. As garotas que engravidavam, muitas vezes, eram obrigadas
pela própria família a sair de casa e mudar de cidade.
- PARA LER: “Historias de Amor em Cartas”, de Carlos Drummond de Andrade (1975).
Com as carícias cada vez mais íntimas deixaram os relacionamentos
cada vez mais efêmeros. Ninguém mais acreditava que o amor pudesse durar para
sempre. A virgindade deixou de ser um tabu os jovens e os casais mais assanhadinhos,
ainda impedidos de transar pelos pais, recorriam a motéis.
- PARA LER: “A Viúva Grávida”, de Martin Amis (2010).
Anos 1980
A Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis exigiram
dos namorados a repensarem seu comportamento sexual. A camisinha virou item
obrigatório na bolsa ou na carteira dos jovens que pretendiam levar uma vida
sexualmente ativa. Nesta década, o finlandês Jarkko Oikarien criou o IRC
(Internet Relay Chat), o primeiro site de relacionamento. Sem querer ele
inventou o namoro virtual.
- PARA ASSISTIR: “Harry & Sally – Feitos Um para o Outro”, de Rob Reiner (1989).
Anos 1990
Os jovens começaram a conjugar o verbo “ficar”. A moda era
sair para um barzinho ou para uma balada e “ficar” com o maior número possível
de pessoas ao som da musica eletrônica. Em vez de namorados, os jovens
preferiam sair à procura de “ficantes”. No Brasil a internet ainda não era
muito popular, mas fosse através de sites de relacionamentos ou salas de bate-papo,
a internet estimulou vários encontros virtuais em todo o mundo.- PARA LER: “Garoto Encontra Garota”, de Meg Cabbot (2006).
- PARA ASSISTIR: “Mensagem para Você”, de Nora Ephron (1998).
Anos 2000
Pedir o número de telefone da garota mais linda da festa
caiu em desuso, a moda era: “Me passa seu MSN?”. E nada de cartas de amor, era
bem mais criativo, bonitinho e romântico enviar torpedos de amor cheios de
emoticons. Para saber se a pessoa namorava ou não era bem simples: procurava o
perfil dela no
- PARA ASSISTIR: “500 Dias com Ela”, de Marc Webb (2009).
Atualmente
Aplicativos e redes sociais estimulam ainda mais a paquera
virtual. No mundo real, a ideia tradicional de casal está sendo modificada:
relacionamentos abertos e homossexuais estão cada vez mais comuns. Os jovens
estão convencendo os pais a levar os parceiros para dormir em casa – hábito que
ainda vai causar muita polêmica.- PARA LER: “Lola e o Garoto da Casa ao Lado”, de Stephanie Perkins (2012)

